O GIGANTE DE FERRO (1999) - Maravilhoso clássico das animações!
Por: Rudnei Ferreira
Quando um robô gigante alienígena (voz de Vin Diesel) cai na terra, precisamente nos EUA dos anos 50, seu caminho se cruza com o de Hogarth (voz de Eli Marienthal), um garoto solitário, porém cheio de imaginação. Nasce entre eles uma bonita amizade, porém, uma amizade ameaçada por um paranóico agente do governo que surge com o propósito de destruir, custe o que custar, o gigantesco visitante do espaço.
Lançado há mais de 20 anos, "O Gigante de Ferro" (1999) se tornou um clássico cult que sobreviveu ao teste do tempo, sendo lembrando e consagrado até hoje como um dos melhores filmes de animação já realizados, e com justiça. Afinal, a obra dirigida pelo lendário Brad Bird, cujo mesmo, futuramente, comandaria obras-primas do mundo das animações para a Disney/Pixar como "Os Incríveis" (2005) e "Ratatouille" (2007), vai muito além de um simples entretenimento infantil. Seu filme possui camadas, conteúdo e também intensidade. Tudo através da bonita história de amizade entre um garotinho terráqueo e seu carismático amigo robô gigante. A relação entre eles é muito bem estabelecida e habilmente bem desenvolvida pelo roteiro, tornando a dinâmica entre ambos encantadora, cativante, divertida e comovente desde a primeira até a última cena, ganhando a afeição e simpatia do público quase que imediatamente, já que tanto a criança quanto o gentil e carismático robô se revelam ótimos personagens. Das referências aos clássicos super-herois dos quadrinhos, nesse caso o Superman, a crítica social ao porte de armas e seus inevitáveis males até o desfecho bonito e comovente, a duplinha tem ótimos momentos em cena.
Indo além dessa bonita e certeira amizade, o roteiro possui maturidade ao tratar de temas mais adultos. Por se passar na década de 50, durante o período da Guerra Fria, a narrativa insere um chamariz histórico envolvendo o governo americano e suas conspirações e temores contra países considerados inimigos, onde assuntos como corrida armamentista, tecnologia e até a ameaça de uma guerra nuclear eram real e temidos, tanto pelo governo quanto pela população americana. A temática mais séria e adulta se casa bem com a leveza infantil da trama, misturando ficção e realidade de forma metafórica e bastante assessivel, tanto para adultos quanto para crianças.
Isso só mostra que "O Gigante de Aço" pertence a época de ouro do cinema de animações, onde os seus realizadores sabiam equilibrar muito bem o infantil e inocente mas também o adulto e o serio em uma obra para todas as idades, se igualando, e sem deixar nada a desejar, com algumas das maiores obras da Disney nos anos 90.
Não é só o enredo bem elaborado e a dinâmica certeira e cativante entre a dupla protagonista que chama a atenção, pois na questão visual, o filme é outro grande triunfo. Mais de vinte anos se passaram desde o seu lançamento e "O Gigante de Ferro" continua belíssimo, com um trabalho de animação que enche os olhos por causa das suas técnicas mistas de desenho tradicional 2d feito à mão com efeitos e elementos visuais gerados por computação gráfica. O resultado continua lindo e moderno, mesmo visto nos dias de hoje, o que nos faz lamentar que filmes animados com essas técnicas já não sejam mais produzidos nos dias de hoje.
Além disso, o filme conta com um ótimo trabalho do seu elenco de vozes originais, onde chama a atenção as belas performances de Eli Marienthal, divertido ao emprestar sua voz e talento ao pequeno Hogarth, Vin Diesel, cuja voz naturalmente grave ganha um contorno ainda mais impressionante com as alterações feitas para viver o simpático Gigante de Ferro, Jennifer Aniston, doce e delicada na pele da mãe de Hogarth e Christopher McDonald, asqueroso e ao mesmo tempo interessante como o principal antagonista, o espião americano Ken Mansley.
Visualmente magnífico, narrativamente bem construído e com um belo trabalho de vozes, "O Gigante de Aço" envelheceu que nem vinho, mantendo o seu posto como um dos mais belos, comoventes e divertidos filmes de animação do cinema. Uma obra encantadora para todos os públicos.
Nota: 🔟
CURIOSIDADES:
* O filme tem como inspiração o livro infantil "The Iron Man" de 1968 do escritor Ted Hughes, embora o livro e a animação tenha algumas diferenças entre si.
* Na época de seu lançamento, em 1999, o longa teve uma baixa decepção nas bilheterias, arrecadando um pouco mais de 30 milhões ao redor do mundo e não pagando o seu custo de produção, cujo orçamento ficou em torno dos 50 milhões. A situação mudou com o lançamento do filme em Home Vídeo e exibições na televisão, tornando-se assim um clássico cult e um dos melhores filmes de animação já realizados.
* O legado do adorável Gigante de Ferro alcançou grandes índices dentro da cultura pop, tanto que Steven Spielberg chegou a referênciar o personagem no seu filme "Jogador N°1" (2018).
* O filme marcou a estreia de Brad Bird na direção de um longa metragem de animação. Anos depois disso, ele trabalharia na Disney/Pixar, dirigindo dois dos maiores sucessos do estúdio: "Os Incríveis" (2005) e Ratatouille (2007)
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