INVOCAÇÃO DO MAL 4: O ÚLTIMO RITUAL (2025) - Uma boa despedida para a saga principal do universo "Invocação do Mal"!
Por: Rudnei Ferreira
Os dias de investigação paranormal ficaram para trás. Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Formiga), agora aposentados no ramo, optam por levar uma vida de paz e tranquilidade ao lado da sua filha Judy (Mia Tomlinson), agora uma mulher formada. Porém, quando uma família da Pensilvânia é atormentada por estranhos fenômenos, o casal, mesmo contra a sua vontade, acaba por voltar a ativa, mexendo assim com forças a muito tempo esquecidas e, literalmente, fantasmas de um passado distante.
"Invocação do Mal 4: O Ultimo Ritual" (2025), como o próprio título sugere, propõe encerrar a saga do casal mais querido dos filmes de terror na atualidade. Saga essa muito bem iniciada por James Wan lá em 2013 com o seu primeiro episódio, fazendo imenso sucesso, conquistando muitos fãs e iniciando assim um dos maiores e mais rentáveis e bem sucedidos universos cinematográficos nos últimos anos. Pois bem, esse quarto capítulo da saga principal faz isso relativamente bem, ao mesmo tempo que abre portas para o futuro da franquia. Mas espera aí. futuro? Esse não é o último capítulo? Teoricamente, sim, e o filme realmente tem cara de despedida. Contudo, o proprio longa dá pistas de que, talvez, tenha fôlego para continuar de alguma maneira, onde os queridos personagens principais passam o bastão para novos personagens, levando o legado dos Warrens adiante no cinema, ou até mesmo na tv em meio a era dos streaming. Se isso pode acontecer, ou não, só o tempo dirá. Porém, se considerarmos que esse é, de fato, a última aventura sobrenatural de Ed e Lorraine Warren nas telas, a despedida é, no geral, bem satisfatória.
"Invocação do Mal 4", embora um autêntico exemplar da franquia, é muito mais dramático e romântico do que apenas terror sobrenatural. Não entenda mal, a fórmula de sucesso da franquia ainda está aqui. Em sua quarta contribuição para a saga atrás das câmeras, depois de dirigir filmes como "A Maldição da Chorona" (2019), "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021) e "A Freira 2" (2023), o cineasta Michael Chaves entrega na parte do terror exatamente o que a maioria dos fãs de "Invocação do Mal" querem. E faz bem feito, sendo seguro dizer que esse é, discutivelmente, o seu melhor trabalho dentro da franquia. Repetindo fórmulas e trabalhando com clichês, Chaves parece ter evoluído bastante como diretor desde a sua estreia na franquia com "A Maldição da Chorona", apresentando momentos divertidos, inspirados, bem dirigidos e atenuadamente sombrios. Agora, sua direção, junto com o roteiro, garante alguns momentos mais diferenciados, mostrando a que veio logo na sequência inicial, assustadora, dramática e bastante sentimental e comovente. E esses momentos alternam ao longo das suas quase duas horas e vinte de duração.
Em valores de produção, o filme não traz nada de inovador, mantendo elementos bem semelhantes e conhecidos de outros capítulos anteriores da franquia. Mesmo assim, o resultado é bom, com um decente trabalho de cinematografia, efeitos visuais, trilha sonora e edição de imagem e som.
No elenco, Vera Farmiga e Patrick Wilson, que a essa altura já conhecem os seus personagens de cabo a rabo, fazem uma boa despedida para o casal Warren. Juntos, mantém a ótima química de sempre e protagonizam alguns dos momentos mais tocantes e aterrorizantes do longa, ostentando o talento de sempre a cada cena. Entre o elenco de apoio, Mia Tomlinson e Ben Hardy estão bem, mas longe de ofuscar o icônico casal principal, embora o roteiro lhes dê bastante destaque. Porém, são justamente os seus personagens que deixam a sensação de que a saga dos Warren pode ou não seguir em frente depois desse filme. Mas como foi dito anteriormente, se isso vai mesmo acontecer, só o tempo dirá. E Pela primeira vez dentro da franquia, a família da vez atormentada pelo sobrenatural não tem grande destaque ou relevância, já que o grupo familiar liderado por Rebecca Calder serve mais como um bode espiatorio para a narrativa andar. E mesmo com esse propósito, pelo menos a narrativa de fato anda, trazendo alguma causa e consequência para a história.
"Invocação do Mal 4: O Último Ritual" mantém a fórmula de sucesso da franquia. Mesmo assim, abre espaço para uma coisa ou outra diferenciada. Com isso, o desfecho da saga principal e das aventuras sobrenaturais do casal Warren consegue ser, pelo menos pra mim, satisfatório, dramático e comovente. E se for mesmo a última aventura de Ed e Lorraine Warren nas telas, pelo menos a experiência valeu a pena.
Nota: 8️⃣
CURIOSIDADES:
* A trama do filme tem como base o assustador caso real envolvendo a família Smurl, cuja trajetória no sobrenatural se iniciou em meados dos anos 70. Ao se mudar com sua família para uma casa na Pensilvânia, Janet e Jack Smurl relatavam estar sendo atormentados por entidades sobrenaturais no seu novo endereço, presenciando eventos como variação de cheiros pela casa, sussurros e vozes e abusos físicos.
* O envolvimento de Ed e Lorraine Warren no caso só veio ocorrer mais de uma década depois do início dos fenômenos paranormais com a família. Eventualmente, ao contrário do filme, esse foi um caso que o casal não conseguiu solucionar, tornando-se um dos maiores e mais inexplicáveis casos da paranormalidade já documentado.
* O maligno espelho assombrado, visto ao longo da trama, não faz parte da história real envolvendo a família Smurl. Ele foi adicionado de maneira ficcional na história como um elemento que liga os Smurl e a família Warren na narrativa do filme.
* Na verdade, o espelho é um objeto real e faz parte, até hoje, do famoso museu do sobrenatural que pertenceu ao verdadeiro casal Warren.
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