A HORA DO MAL (2025) - Um terror diferente e absolutamente insano e misterioso!

Por: Rudnei Ferreira 


Em uma pequena cidade, um grupo de dezessete crianças, todas da mesma sala de aula, acorda exatamente as 2:17 da madrugada e simplesmente são flagrados correndo pela noite, aparentemente sem motivos, desaparecendo de forma misteriosa depois disso. Uma onda de Pânico e mistério toma conta do lugar, o que acaba envolvendo a professora Justine (Julia Garner) e outros personagens em uma trama macabra e assustadora em torno desses inexplicáveis desaparecimentos simultâneos. 


Absolutamente envolvente, misterioso da primeira até a última cena, reviravoltas inesperadas e um desfecho aterrador, "A Hora do Mal" (2025) é possivelmente um dos filmes de terror mais originais e imersivos dos últimos anos. Sério, eu não via algo digno de cair o queixo assim, talvez, desde "Hereditário" (2018) e "Midsommar: O Mal Não Espera a Noite" (2019), onde cada acontecimento da trama era uma nova surpresa. "A Hora do Mal", pelo menos pra mim, trouxe de volta esse sentimento com um filme de terror, e é bom ver que, de vez em quando, esses filmes fora da caixa, dentro de um gênero considerado por muito cheio de clichês,ainda tem o seu espaço. 


De maneira não convencional, a trama não possui um único personagem como protagonista, mas sim personagens variados, unidos de alguma maneira a questão principal, que é o misterioso e inexplicável desaparecimento dessas crianças. Eles nos são apresentados e seus arcos "terminam", assim mesmo, entre aspas, de maneira intrigante, mas sem uma conclusão de fato, onde a montagem corta em momentos cruciais, indo assim para o arco do personagem seguinte. Tal estratégia do roteiro pode gerar estranhamento e até frustração naqueles acostumados com filmes do gênero cuja as respostas saltam na cara a cada momento. Contudo, propositalmente e inteligentemente, o roteiro opta por isso, deixando tudo mais bem explicado e com sentido, próximo ao desfecho da obra. E quando as respostas enfim surgem, tudo acaba fazendo sentido, pois tudo se conecta bem, o que também nos faz perceber que estamos diante de um dos roteiros mais criativos dos últimos anos, não só dentro do gênero, mas dentro do cinema atual. 


É claro que nem tudo é propriamente explicado, especialmente no que diz respeito as motivações em torno do desaparecimento das crianças e também em relação aos motivos e dons de quem ou o que está por traz desse evento. Mas, em alguns casos, tais mistérios são mais legais quando são apenas especulados e não explicados, mexendo com a imaginação e com as formulações de teorias do público, deixando a cargo do mesmo especular em busca de possíveis, ou não, respostas. E nisso, "A Hora do Mal" se sai bem. 


Bem roteirizado, o longa ganha muitos pontos positivos em outros aspectos cinematográficos, como a fotografia de tons sombrios, a trilha sonora desconcertante e a já mencionada montagem das cenas e sequências. Tudo isso mérito de um bom trabalho da direção de Zack Cregger que parece saber o que faz não só atrás das câmeras mas também na produção e no próprio roteiro, ambos também assinados por ele. O diretor sabe manipular o espectador, jogando as migalhas para nos atrair até uma conclusão desconcertante e, porquê não dizer, inesperada e brutal, o que é ótimo. 


Temos um elenco inspirado e bem envolvido com seus personagens. Destaque para Julia Garner e Josh Brolin, onde ambos ganham bastante camadas do roteiro. Entretanto, vários personagens tem o seu momento e seus interpretes se saem bem. É claro, não podemos esquecer da performance enigmática e hipnotizante de Amy Madigan, cuja atuação fascinante resulta, ao meu ver, numa das melhores e mais icônicas e intrigantes personagens femininas do gênero em anos, cercada de mistérios, um carisma peculiar e uma reviravolta facetaria  interessante. 


Tudo isso é pra resumir que "A Hora do Mal" é uma grata e bem vinda surpresa dentro do terror e mistério, cujo resultado final resulta em um dos filmes mais originais e criativos do ano e do cinema atual. Pode ser que não agrade a todos, assim como praticamente tudo nessa vida. Mas, o simples fato de oferecer uma experiência cinematográfica diferenciada já merece, e muito, a atenção não só dos apreciadores do gênero mas também dos cinéfilos em geral. 


Nota: 9️⃣

CURIOSIDADES: 

* Dirigido por Zack Cregger, o cineasta também foi responsável por escrever o roteiro, usando suas próprias experiências pessoais, como a morte de um querido amigo. Ele traduziu seus sentimentos e drama pessoais através de um terror psicológico original e surpreendente. 

* De acordo com o próprio Cregger, sua grande inspiração para a criação do roteiro veio do filme "Magnólia" (1999) de Paul Thomas Anderson.

* A forma como as crianças correm no início do filme foi inspirada na famosa fotografia de 1972, "A Garota do Napalm", que mostra uma criança nua correndo na rua com os braços abertos durante a guerra do Vietnã.  





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